Eu sou uma trabalhadora da saúde, com mais de 20 anos de experiência.
Minha primeira graduação foi em Fisioterapia, na Universidade da Região da Campanha (URCAMP), em Bagé, minha cidade natal, em 1994. Desde 1996 trabalho, essencialmente em hospitais, na área de fisioterapia cardiorrespiratória e terapia intensiva (minhas áreas de especialização). Inicialmente atuei em Pelotas (desde minha formatura) e em 2002 vim para Porto Alegre, para trabalhar no Hospital Dom Vicente Scherer, hospital de transplantes da Santa Casa. Desde 2012 trabalho no Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
Paralelo a minha atuação como fisioterapeuta assistencial, fui docente na Universidade Feevale, como supervisora de estágio ( de 2003 a 2007) e preceptora de estágio da UNISINOS (de 2008 a 20012).
Apesar da minha formação inicial ser bem tecnicista, de uma área restrita ao ambiente hospitalar, sempre me senti incomodada com a forma de cuidar, que não incluía a assistência integral e a preocupação com a continuidade do tratamento após alta hospitalar. O desconhecimento dos acadêmicos de fisioterapia sobre o nosso sistema de saúde e a atuação pautada num modelo biologicista e medicalizador me incomodava profundamente!
Vi, por acaso, num jornal a divulgação de um novo curso de graduação na UFRGS: Análise de Políticas e Sistemas de Saúde. Instintivamente me inscrevi para o vestibular (em 2009) e esta foi uma das melhoras experiências da minha vida, em termos acadêmicos. O que eu via como uma forma de complementar a minha formação como fisioterapeuta, passou a ser mais uma profissão que me orgulho de ter conquistado e na qual planejo atuar. Mudou radicalmente minha forma de agir assistencilmente e foi um alento perceber que minhas inquietações faziam todo o sentido.
Quando vim para Porto Alegre, em 2002, entrei no mestrado em Ciências Médicas, que era o primeiro programa que aceitava não médicos. Aceitava, porém era pouco inclusivo. Era voltado para a formação médica. Os demais, deveriam se adaptar...Acabei ficando como desistente. Porém, quando surgiu o Mestrado em Saúde Coletiva, não pensei duas vezes e já sou Mestre desde 2015, no aguardo do doutorado.
Todas estas estórias conto para que fique claro como se construiu a minha trajetória na saúde coletiva e por isso a minha identificação com a preceptoria no SUS. Desde 2013 estou diretamente envolvida com a preceptoria em residência multiprofissional do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (Atenção Cardiovascular). O desejo de cada vez fazer melhor e colaborar para uma mudança na forma de cuidar das pessoas, me impulsiona estar aqui e compartilhar minhas experiências.
Espero que seja um grande ano!
Comentários
Postar um comentário