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AFINAL, O QUE É SER PRECEPTOR?


"IV.o Programa de Residência Multiprofissional em Saúde deve ser orientado por estratégias pedagógicas capazes de utilizar e promover cenários de aprendizagem configurados em itinerário de linhas de cuidado nas redes de atenção à saúde, adotando metodologias e dispositivos da gestão da clínica ampliada, de modo a garantir a formação fundamentada na atenção integral, multiprofissional e interdisciplinar. V.o PP deve prever metodologias de integração de saberes e práticas que permitam construir competências compartilhadas, tendo em vista a necessidade de mudanças nos processos de formação, de atenção e de gestão na saúde" (CNRMS, 2012). 

Início esta postagem com este trecho da Resolução do Conselho Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde porque ele , ao meu ponto de vista, explícita o desafio à  aqueles que exercem o papel de preceptores.

"Estratégias pedagógicas", "itinerários em linhas de cuidado", !clínica ampliada" são conhecimentos necessários a quem está neste papel, conforme o previsto na resolução. Será que a maioria dos trabalhadores de saúde possuem, de fato, conhecimentos e habilidades para dar conta destas demandas? O fato de não possuí-los é fator limitante? Quem será modificado após a residência? Ao mesmo tempo fica compreendido  que o conhecimento técnico não é  a única preocupação na formação dos residentes. Novas formas de se construir as relações, novas formas de cuidar, muito mais comprometido com a saúde dos usuários e todos os seus fatores determinantes.

"A atualização técnico-científica é apenas um dos aspectos da qualificação das práticas e não seu foco central. A formação engloba aspectos de produção de subjetividade, produção de habilidades técnicas e de pensamento e o adequado conhecimento do SUS. A formação para a área da saúde deveria ter como objetivos a transformação das práticas profissionais e da própria organização do trabalho, e estruturar-se a partir da problematização do processo de trabalho e sua capacidade de dar acolhimento e cuidado às várias dimensões e necessidades de saúde das pessoas, dos coletivos e das populações" (CECCIM, R. B;FEUERWERKER, L, 2004). 

Pensar formas de preparar os trabalhadores da saúde para exercer este desafio é fundamental para a transformação que se espera. Acredito na potência da educação permanente como estratégia de auxílio neste processo. As limitações para isso são as corriqueiras: sobrecarga de trabalho, despreparo e postos de trabalho com pouca autonomia e pouco poder de interferência nas tomadas de decisão que envolvem a gestão.  Penso na grande responsabilidade que temos...





Sugestão de leituras:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-73312004000100004


http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/residencia_multiprofissional.pdf

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QUEM SOMOS?

Somos cerca de 60 trabalhadores da saúde ,  em torno de 20 médicos e 40 das mais variadas profissões (fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiros, cirurgiões dentistas, assistentes sociais..),  oriundos de diversas cidades da grande Porto Alegre e arredores, todos compondo o grupo denominado "Diversidades", subdivididos em 6 pequenos grupos. Somos acompanhados por três facilitadoras, cada uma responsável por 2 grupos, de um total de 6 que compõem o grupo principal. E já ganhamos as redes sociais!

APRESENTAÇÃO

Sobre este blog.... Este blog se destina a compartilhar experiências e materiais teóricos sobre o Curso “Preceptoria no SUS (PSUS) ”, realização do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês – IEP/HSL em parceria com o Ministério da Saúde – MS na Região Sede de Porto Alegre. A autora deste blog sou eu, Ane Margarites (na próxima postagem me apresento melhor), uma das alunas deste curso, formado por uma diversidade incrível de alunos das mais variadas profissões da área da saúde, de diversos cenários de atuação, mas com características em comum: compromisso com o SUS e com a formação de novos trabalhadores da saúde. Não há a mínima intenção de que este blog seja um espaço técnico, teórico. Espero que ele seja capaz de favorecer a  aprendizagem, cooperação, compartilhamento de idéias e que  seja um espaço de discussão de como melhorarmos nossas práticas, de uma forma leve e com afeto!

QUEM SOU EU?

Eu sou uma trabalhadora da saúde, com mais de 20 anos de experiência. Minha primeira graduação foi em Fisioterapia, na Universidade da Região da Campanha (URCAMP), em Bagé, minha cidade natal, em 1994. Desde 1996 trabalho, essencialmente em hospitais, na área de fisioterapia cardiorrespiratória e terapia intensiva (minhas áreas de especialização). Inicialmente atuei em Pelotas (desde minha formatura) e em 2002 vim para Porto Alegre, para trabalhar no Hospital Dom Vicente Scherer, hospital de transplantes da Santa Casa. Desde 2012 trabalho no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Paralelo a minha atuação como fisioterapeuta assistencial, fui docente na Universidade Feevale, como supervisora de estágio ( de 2003 a 2007) e preceptora de estágio da UNISINOS (de 2008 a 20012). Apesar da minha formação inicial ser bem tecnicista, de uma área restrita ao ambiente hospitalar, sempre me senti incomodada com a forma de cuidar, que não incluía  a assistência integral e a preocupação com...