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QUESTÕES DE ESTUDO


Nosso último encontrou suscitou algumas questões muito interessantes..

Procurarei levantar alguns pontos em relação a primeira questão:

 Quais são os elementos necessários para gerar, entre os diferentes entes federativos o compromisso de formação para o SUS?

Penso que aqui há uma grande questão...num momento político conturbado, como estamos vivendo agora, de desmonte das políticas públicas, precisamos entender o que são políticas públicas, para que servem e a quem servem...


"Desse modo, as políticas públicas são entendidas como construções de matrizes cognitivas que determinam, ao mesmo tempo, as medidas (ações, atividades, programas, por exemplo) passíveis de serem adotadas – porque legítimas – e os espaços de sentido particular, no interior das quais os atores interagem (Muller e Surel, 2002). Por um lado, elas mesmas são responsáveis pela construção de um quadro normativo de ação que conforma a possibilidades de imagens da realidade, de ação e de justificativa para a ação dos vários atores envolvidos. Por outro, as políticas públicas particulares tendem a ser locais: constructos políticos autônomos que, em seu nível próprio de atuação, regulam as relações de conflito entre os grupos sociais ao assegurar as possibilidades de articulação e de harmonização dos interesses envolvidos". 

Entendo que as seguintes questões precisam ser desveladas para que nossa questão de estudo possa ser respondida:

- O tema está na agenda política? É uma prioridade para o governo atual?
- Este tema faz parte da política de governo ou é uma política de Estado?
- Quais os interesses que estão em jogo?
- Quais são os atores principais?


Nesse sentido, penso que as respostas são meio óbvias e apavorantes. Por mais que existam algumas iniciativas que vão contra a maré (nosso curso é um exemplo), não deixo de ter a preocupação de até quando estas estratégias sobreviverão...

Abaixo, dois trechos de um artigo publicado em 2015, onde os autores narram a evolução histórica das políticas públicas em saúde e, apesar das dificuldades e contradições que sabemos, tem um olhar otimista. Fico pensando como seria se este artigo fosse escrito em 2017?

"Em tempos de crise, o Estado brasileiro conseguiu, de certa forma, dar respostas às demandas sociais por meio de um conjunto de intervenções públicas visando à promoção de bem-estar a partir de um sistema de saúde amplo, universal e gratuito, envolvendo a participação popular nas várias esferas de decisão colegiada".
"O investimento político em um Estado que permita a manutenção de políticas públicas sociais, associado ao estímulo da participação popular como prática de controle público sobre estas mesmas polí- ticas, é uma forma de amenizar a intensa mobilidade de capital promovida pela globalização econômica. As novas articulações que o capitalismo estabelece dificultam a própria funcionalidade do Estado, pois lhe impõem barreiras à apropriação e distribuição da riqueza. Na perspectiva histórica revista as inovações no sistema de gestão da saúde pública foram eficientes para o caso brasileiro. Saber se esses instrumentos ainda servem às demandas que a atual conjuntura exige e se essa discussão pode ser aplicada em outros contextos histórico-geográficos, é uma agenda futura". 


Sugestões de leituras:

http://www.scielo.br/pdf/ln/n87/03.pdf

A contribuição da sociologia para a análise de políticas públicas.  Soraya Vargas Cortes Luciana Leite Lima

http://www.scielo.br/pdf/sausoc/v24n1/0104-1290-sausoc-24-1-0009.pdf

O papel do Estado nas políticas públicas de saúde: um panorama sobre o debate do conceito de Estado e o caso brasileiro

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QUEM SOMOS?

Somos cerca de 60 trabalhadores da saúde ,  em torno de 20 médicos e 40 das mais variadas profissões (fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiros, cirurgiões dentistas, assistentes sociais..),  oriundos de diversas cidades da grande Porto Alegre e arredores, todos compondo o grupo denominado "Diversidades", subdivididos em 6 pequenos grupos. Somos acompanhados por três facilitadoras, cada uma responsável por 2 grupos, de um total de 6 que compõem o grupo principal. E já ganhamos as redes sociais!

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Sobre este blog.... Este blog se destina a compartilhar experiências e materiais teóricos sobre o Curso “Preceptoria no SUS (PSUS) ”, realização do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês – IEP/HSL em parceria com o Ministério da Saúde – MS na Região Sede de Porto Alegre. A autora deste blog sou eu, Ane Margarites (na próxima postagem me apresento melhor), uma das alunas deste curso, formado por uma diversidade incrível de alunos das mais variadas profissões da área da saúde, de diversos cenários de atuação, mas com características em comum: compromisso com o SUS e com a formação de novos trabalhadores da saúde. Não há a mínima intenção de que este blog seja um espaço técnico, teórico. Espero que ele seja capaz de favorecer a  aprendizagem, cooperação, compartilhamento de idéias e que  seja um espaço de discussão de como melhorarmos nossas práticas, de uma forma leve e com afeto!

QUEM SOU EU?

Eu sou uma trabalhadora da saúde, com mais de 20 anos de experiência. Minha primeira graduação foi em Fisioterapia, na Universidade da Região da Campanha (URCAMP), em Bagé, minha cidade natal, em 1994. Desde 1996 trabalho, essencialmente em hospitais, na área de fisioterapia cardiorrespiratória e terapia intensiva (minhas áreas de especialização). Inicialmente atuei em Pelotas (desde minha formatura) e em 2002 vim para Porto Alegre, para trabalhar no Hospital Dom Vicente Scherer, hospital de transplantes da Santa Casa. Desde 2012 trabalho no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Paralelo a minha atuação como fisioterapeuta assistencial, fui docente na Universidade Feevale, como supervisora de estágio ( de 2003 a 2007) e preceptora de estágio da UNISINOS (de 2008 a 20012). Apesar da minha formação inicial ser bem tecnicista, de uma área restrita ao ambiente hospitalar, sempre me senti incomodada com a forma de cuidar, que não incluía  a assistência integral e a preocupação com...